Ser comunicador é uma arte
Construir uma boa história tem mais impacto do que ser o profissional mais técnico da mesa.
Olá, leitor(a)!
Este é o quinto texto da série #fundamentos, que nasceu com o objetivo de resgatarmos o básico bem feito e a volta nas origens dos negócios, da comunicação e storytelling, das relações e em Product Management.
Tenha uma boa leitura.
Receber elogios é extramente difícil para mim. Ainda mais quando é algo que está muito de encontro com as habilidades que venho treinando e aperfeiçoando ao longo do tempo.
Em uma conversa com uma das minhas pares de trabalho, ela me contou que desde o início dos trabalhos em conjunto, me via como um comunicador e como isso era inspirador para ela. A forma de apresentar, de engajar o público, de aumentar ou diminuir o tom de voz na hora certa, de responder rápido e fazer conexões que geravam prendiam ainda mais a atenção era algo a ser adaptado por ela.
E isso veio para concretizar ainda mais esse meu lado como profissional que sempre tive muito carinho e que é um dos meus pilares de força.
Sei de onde veio isso. Cresci em ambiente religioso e desde muito pequeno, exerci meu papel de comunicador e líder. Isso foi me ajudando a saber o que queria e também o que não queria fazer como profissão.
Trabalhar em televisão? “Muita areia para o seu caminhão”. E tentar a vida no rádio? “Você é pobre, isso não é para você”. E o mercado de publicidade, será que não pode ser uma boa? “Essa profissão não é para você”. E tantos outros exemplos de conversas com familiares e amigos.
Não é fácil furar a bolha, sair da perspectiva de onde você nasceu e cresceu, sem tantos acessos e oportunidades e tudo que aparece pela frente, é preciso abraçar como se fosse a última, por ser uma questão de necessidade e sobrevivência. E abraçar a comunicação como um dos meus pilares mais fortes no ‘guarda-chuva', está sendo fundamental a cada ano que passa.
Foi assim quando fui eleito pelas turmas formandas do Bacharel em Administração pela FEI, para ser orador na colação de grau. Sensação inenarrável de ser o primeiro membro da família formado na universidade e o comunicador oficial da leitura da ata, mas também em aproveitar o momento para dar uma palavra no discurso final.
A mesma sensação quando fui Mestre de Cerimônias numa reunião da UMP (União de Mocidade Presbiteriana), em 2017, falando e mediando por mais de duas horas, entretendo o público e me sentindo o verdadeiro 'Fausto Silva'.
Além, é claro, de ter subido ao palco do Product Camp, o maior e mais importante evento de Product Management da América Latina, tendo o privilégio de comunicar para mais de 850 pessoas um tema que tanto gosto: relacionamento estratégico.
Em uma das histórias da série #fundamentos, contei a minha decisão de sair de uma empresa do setor automobilístico, em plena crise brasileira, com uma oferta na mesa que mudaria meu patamar financeiro, dando algumas passos para trás para entrar no Itaú Unibanco — o que deu muito certo. Deixe-me te trazer mais detalhes daquele dia.
O processo foi tranquilo, levando das 9h às 13h, com todas as etapas e resultado ali mesmo. As etapas eram claras: (1) apresentações pessoais dos líderes das vagas (6 no total) e de cada área que ali estavam, (2) apresentações pessoais de cada participante, (3) trabalho em grupo resolvendo um case ao-vivo, (4) feedbacks das apresentações e (5) comunicação aos aprovados.
Nunca esqueço o choque de realidade que tive, ao ouvir cada aluno fazendo sua apresentação pessoal. O lugar mais longe que eu havia viajado era Minas Gerais e, até aquele momento, nunca havia entrado num avião. Mais de 60% da sala havia realizado intercâmbio para Europa ou Estados Unidos e as histórias que tinham para contar eram todas muito acima do que eu poderia ter. Mas isso não me intimidou e usei algo a meu favor, que foi o poder da comunicação e de construir uma boa narrativa.
Ao final de cada apresentação, o candidato precisava contar qual área gostaria de ir. Por serem todos da engenharia, a área de projetos foi amplamente escolhida. Na minha vez, além de fazer uma apresentação pessoal de impacto, não escolhi a área de projetos igual à manada, mas a de riscos, pois sabia que tinha muito mais chances de entrar do que os demais.
Etapa finalizada e aquela pausa do café, abordo a gerente da posição e, antes mesmo de puxar assunto, ela me olha, abre um sorriso e diz “gostei muito de você, viu. Falou muito bem, confiante, sabe o que quer e acredito que vamos fazer muitas coisas juntos”. Ali, naquele momento, eu tinha certeza que uma das vagas era minha.
Toda comunicação precisa ser estratégica. Seja ela escrita ou falada verbalmente. Fui estratégico em me comunicar efetivamente em minha apresentação, em escolher a área que queria ir e na condução do case, usando o que tinha de qualidade que grande parte dos demais ali não tinham.
Apesar de hoje, minha comunicação ser quase exclusivamente por meio de textos, em meu LinkedIn ou aqui na Newsletter, o processo de preparação das minhas comunicações é o mesmo quando realizo alguma palestra ou entrevista, com leves adaptações, mudando apenas o canal que essa comunicação será realizada.
Como me preparo?
Toda comunicação é uma história a ser contada que possui algo que está em jogo. Seja reputação, uma negociação, um problema, uma oportunidade, ou qualquer outro motivo para que essa comunicação aconteça. Lembre-se, tudo comunica.
Minha preparação começa com algumas perguntas:
Qual a motivação para essa comunicação?
Quem é o público-alvo e qual é a pessoa que precisa ser mais impactada?
Qual a melhor forma que esse público-alvo gosta de receber a informação?
Quais são os sentimentos que quero despertar neste público-alvo?
Tenho espaço para ser mais ou menos lúdico?
Essas perguntas me ajudam a desenhar a estratégia de como a comunicação será realizada e serve não só para uma preparação de uma palestra ao-vivo, como também para uma simples mensagem no Slack da empresa, comunicando alguma novidade, um problema resolvido ou um resultado apurado.
Tem algo que levo muito a sério quando o tema é comunicação, que a história e narrativa construída é muito mais relevante que qualquer outra coisa. Um dos capítulos que mais gosto do livro Same as Ever, do Morgan Housel, é o ‘Best Story Wins: Stories are always more powerful than statistics’.
The best story wins. Not the best idea, or the right idea, or the most rational idea.
E isso tem uma razão muito específica para acontecer: nos comunicamos com outras pessoas que possuem sentimentos, emoções, ego e que se parecem conosco em essência.
Comunicar bem é uma arte. É uma habilidade a ser desenvolvida que pode ser testada a todo momento. Você, querendo ou não, está comunicando a todo instante.
If you have the right answer, you may or may not get ahead.
If you have the wrong answer but you're a good storyteller, you'll probably get ahead (for a while).
If you have the right answer and you're a good storyteller, you'll almost certainly get ahead.
That's always been true, always will be true, and it shows up in so many areas of history.
Seja você também um bom contador de história, use isso a seu favor e amplie essa habilidade extremamente relevante em sua progressão de carreira.



história que aquece nossos corações